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Procuram-se Revolucionários

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 O título pensado para esta crônica era "Procura-se Revolucionárias", mas como detesto correr riscos, mesmo com a quase nula possibilidade de leitura por algum gramático de plantão ou alguém da patrulha anti-identitarista, decidi não arriscar ser acusado de assassinar a última flor do lácio, que eu tanto amo, mesmo sem saber direito o que é.  Dito isso, começo observando um fenômeno interessante que vem aparecendo com frequência cada vez maior nas últimas semanas, especialmente depois das eleições municipais. Decretou-se a proibição de criticar o governo. Este fenômeno, na verdade, se desdobra em outras práticas. Por exemplo: jornalistas e comentaristas políticos de esquerda têm mostrado grande resistência em usar a palavra "base", ou, ainda mais explicitamente, no plural "bases". Claro que essa restrição só vale do Oiapoque pra baixo, porque um dos motivos alegados para a derrota democrata nos EUA é justamente que o governo Biden/Kamala abandonou o povo. ...

A América para os americanos de novo! (E o braZil também...)

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  Por volta das 6 horas da manhã, horário do Brasil, já se anunciava como irreversível a vitória de Donald Trump. E, ao contrário do que as análises e prognósticos apontavam, com margem grande de tranquilidade. E mesmo que nos EUA o presidente de fato governe, ao contrário do que acontece no Brasil, o congresso também vai ter maioria republicana, o que é ainda mais preocupante, porque isso facilita muito as coisas para o fascista. Mas que razões teríamos para esperar que a eleição de Kamala Harris, mulher e negra, faria arrefecer a sanha imperialista estadunidense? As mesmas que nos levaram a acreditar que Barack Obama, negro e de nome árabe, cumpriria a promessa de campanha e desativaria a prisão de Guantánamo? Essas são questões que parecem bastante distantes da nossa realidade, embora não sejam, então, importa saber, na verdade, que impacto tem a eleição de Donald Trump na vida do povo brasileiro. Recolhi notícias de três portais de grandes veículos de imprensa sobre as felicita...

Amai-vos uns aos outros!

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  Quem leu a orelha de Maquiavel sabe que a política é uma arte, arte que não prescinde da capacidade de odiar os amigos e acima de tudo amar os inimigos. Neocomunistas e neonazistas saberão explicar de outra maneira a complexa relação entre Hitler e Stalin? E o que se dirá para entender a amizade entre o Cavaleiro da Esperança e o Pai dos Pobres? As pessoas mais jovens, que não viveram a aurora da Nova República, não terão estranhado o tratamento carinhoso dispensado por Lula ao velho coronel do Maranhão e adjacências durante o discurso de posse, quando citou o "companheiro Sarney".  Nos últimos dias, Lula designou seu novo amigo Geraldo Alckmin para manifestar o apoio que ele mesmo, por problemas de saúde, não está podendo oferecer presencialmente à campanha de Guilherme Boulos. As pessoas que presenciaram os dois amigos comendo um sanduíche de pernil ontem, num boteco da pauliceia desvairada, não teriam visto a mesma cena em 2015, quando a juventude estudantil promovia as...

ATUALIZADO - A direita inrachável, a vitória do PGR e a reprodução dos ratos

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  No Brasil não existe uma esquerda. Na verdade uma esquerda não existe no mundo. Uma, neste caso, é numeral. Existem muitas esquerdas. No Brasil talvez em número maior do que no mundo. Tem a esquerda feminista, tem a esquerda antirracista, tem a esquerda da luta pela terra, tem a esquerda da luta pela moradia, tem a esquerda que reproduz Gramsci (essa, segundo Olavo de Carvalho, é a mais perigosa), tem a esquerda da periferia, tem a esquerda da Academia, tem até a esquerda festiva e a esquerda que nem sabe o que é esquerda. Nisso tudo, a causa principal da esquerda ortodoxa, a luta anticapitalista, fica prejudicada. A esquerda é complicada. A direita, pelo contrário, é um bloco (quase) monolítico, cujo único interesse está no binômio dinheiro/poder. E só é quase e não absolutamente monolítico porque dinheiro e poder em alguns raros momentos da história não andam abraçados, e aí pode dar alguma briguinha, mas nada que um bom conchavo e proveitosa troca de favores não resolva em pou...

Conversa pra boi votar

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 Uma boa parte da esquerda brasileira abomina o que ela convencionou chamar de "pautas identitárias". Para essas pessoas, mais ortodoxas no marxismo do que o freudianismo do Analista de Bagé, a importância demasiada (mi-mi-mi, segundo elas) dada ao combate ao racismo, à lgbtfobia, à misoginia e a outras formas de discriminação confunde e pulveriza as lutas e desvia a atenção do que deveria ser a pauta única: o combate ao capitalismo. Algumas dessas pessoas vão mais longe e dizem que as causas identitárias foram sequestradas pela burguesia capitalista e se tornaram uma espécie de fogo amigo (ou nem tanto) dentro da esquerda. Esse é um debate complexo, que não me interessa aprofundar agora. Mas é importante tomar um aspecto da discussão para tentar entender o que está acontecendo hoje na eleição municipal mais importante do país, que vai determinar o que acontecerá na eleição presidencial de 2026. Obviamente a compreensão da campanha municipal de São Paulo passa necessariamente...

A raposa e as ruas

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 Lula é o maior articulador político da história do Brasil republicano. Quando todo mundo achava que estaria encerrando a carreira ao ser preso, era exatamente o contrário. Se tivesse concorrido em 2018, a chance de ser derrotado pelo neofascista teria sido muito grande e até provável. E aí sim, adeus Lula. Cumpriu uma etapa de 500 e poucos dias e voltou no melhor estilo Getúlio, nos braços do povo, como o redentor da nação.  Lula tem mostrado que que apesar das quase 8 décadas de vida, uma vida marcada por luta e sofrimento, tem vitalidade suficiente para chefiar o governo. E não só este governo, o próximo também. Tenho convicção que Lula pensa em reeleição. E aí as coisas começam a ser um pouco melhor explicadas. Começa a se entender a resistência em romper com velhas políticas e velhos políticos.  Quando Mano Brown falou em 2018 que o PT deveria voltar a ser o partido do povo, voltar à base, foi aplaudido por uns, mas teve quem fizesse cara feia. Mas Mano sabia que o P...

Agora não tem mais padre

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  Os resultados das eleições foram péssimos, disso não há nenhuma dúvida. Não falo apenas da passagem do candidato (na iminência de ser ex) presidente fascista para o segundo turno, que esta, por incrível que pareça, é a parte menos ruim. A configuração do congresso nacional ficou trágica. Gente como Hamilton Mourão, Sérgio Moro, Deltan Dallagnol e outros golpistas canalhas foi eleita. Ou seja, o bolsonarismo, para além de Jair Bolsonaro, saiu vitorioso do pleito de ontem. Mais uma vez é preciso dizer que o bolsonarismo é maior do que Bolsonaro, por isso derrotar o genocida e impedir a continuação do seu mandato é tarefa inadiável. O golpe foi duro, mas se baixarmos a guarda a coisa vai piorar muito. Choramos o que precisava ontem. Hoje é dia de tansformar a tristeza em força para lutar. Vejamos o caso do Rio Grande do Sul, que é uma base forte do bolsonarismo. Diante do quadro nacional, a eleição de Eduardo Leite foi positiva. Parece um tanto contraditório dizer isso, porque o Edu...

Procura-se um fato novo. À direita e à esquerda

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 Ontem foi divulgada a mais recente pesquisa eleitoral feita pelo Ipec, por encomenda da Rede Globo. Segundo os/as analistas, ela aponta coisas interessantes, a começar pelo raríssimo fato dos números serem iguais na pesquisa induzida, em que o/a entrevistador/a informa os nomes, e na espontânea, em que a resposta é totalmente livre. Isso mostra que a informação da disputa centrada entre Lula e Bolsonaro está consolidada entre o eleitorado pesquisado. Os dados mais importantes, porém, estão relacionados ao desempenho dos dois candidatos. Lula se mantém estável em 44% das intenções de voto. Bolsonaro caiu de 32 para 31%. Mais interessante ainda é a análise qualitativa dos dados da pesquisa. Bolsonaro caiu entre a população que ganha até 2 salários mínimos, apesar de todas as manobras desesperadas do (des)governo, que despejou dinheiro em programas que "beneficiam" a população mais pobre. Parece que o povo está entendendo que esse "benefício" tem dia e hora para acaba...