Um poema chamado esperança
Por Pedro Paganelli¹ Quando Chico me sobrenomeou Pedreiro, me condenou até como carpinteiro, trabalhador. To sempre buscando algo que eu nem desejo de amor. Embora já não espere mais o trem, ainda espero o aumento do mês que vem. Como se já não fosse bem, Chico ainda me fez penseiro pensador. Além de me condenar a trabalhar, ele me condenou a pensar na dor. Faz bem pra mente, ficar pensando, me deixa presente e tão mais brando. Como bom Pedro Pedreiro penseiro, fico sempre esperando. Esperando decifrar a realidade, enxergar além da minha. Saber quem marcha e quem caminha. Esperando uma eternidade por uma genuína liberdade. Ó pátria amada fomos enganados, a nossa única liberdade é escolher como somos explorados. Tuas terras são estupradas, teus meninos estão armados. Tuas universidades estão queimadas e teus filhos, deturpados. Pedro Pedreiro penseiro continuo esperando o carnaval. Pra criticar ideologias, pra fazer orgias, pra transvestir o marechal de transexual. O ...