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Relações perigosas (para quem?): ou a arte política encontra a política na arte

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 Eu leio/vejo/ouço política todos os dias. Por diversas razões, entre elas, por prazer. Coisa que faço com muito menos frequência, mas que deveria, é botar um vinil no prato e escutar inteirinho. Quando pensei nisso dia desses, também pensei que essas coisas andam um tanto juntas. E das formas mais inusitadas. Se eu leio o termo-rei das manchetes dos últimos tempos, VORCARO, invariavelmente me vem na cabeça PORCARO. Quando eu leio e/ou ouço o outro arroz de festa da grande mídia, TRUMP, penso em algo súper. SUPERTRAMP. É talvez um mecanismo de defesa freudianamente ou junguianamente explicável, quem sabe, associar alguma coisa muito boa quando surge alguma coisa muito ruim. Supertramp dispensa apresentações, penso eu. Porcaro é o nome de uma família de grandes músicos: Jeff, que tocou com muita gente grande, dos 70's principalmente, de Peter Frampton a Etta James, e junto com os irmãos, Mike e Steve, fez a súper banda Toto , e o pai, e Joe, grande baterista e percussionista. ...

O gado está elétrico

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Numa cidade que já teve A Casa Eléctrica e o choque do Lasier , e que recentemente deu palco para o show da Ana Frango Elétrico, que é muito legal, por sinal, a eletricidade é sempre assunto. Mas nem a criatividade de milhões de volts de gente capaz de batizar uma banda de Atahualpa y us Panquis pensaria em eletrificar a massa protestante. Precisou um rapazinho sair lá das Gerais e ir pra Brasília pra botar em prática essa jenial ideia.  Pois o imbecilizado bolsomínion (perdão pela redundância), batizado Nikolas, mas que sonha ser Nikole, conseguiu juntar um número considerável de cabeças para pedir um braZil SEM bolsonaro. Mas não vamos subestimar essa tropa que tanto pode rezar pra pneu como pedir ajuda pra general extraterrestre via celular. Eles literalmente conseguiram fazer chover na capital federal. E o campo energético gerado por esse monte de sinapses (se cada cabeça de gado conseguiu fazer uma, deu alguns milhares de encontros de neurônios) provocou até descargas el...

Carecas que não são da Jamaica e minhocas

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                                                             Se me derem um pedaço de plutônio, minha turma se encarrega de explodir ¹                                                                                                       O essencialismo é algo bastante perigoso, assim como a generalização. "Brasileiro tem memória curta!", é uma sentença bastante corrente. Todos os brasileiros e todas as brasileiras têm memória curta? Isso é uma característica biológica, sociológica, antropológica, qual lógica? Não sou essencialista e tento evitar generalizações, mas se falar ...

Código de Guerra: ou apito pra cachorro

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  A Linguística, a Semiologia, a Análise do Discurso e tantas outras ciências que tratam da comunicação, entre outros assuntos, há décadas vêm comprovando com estudos e trabalhos de campo, a importância que tem a palavra e como o seu uso de um ou de outro jeito pode direcionar o entendimento sobre qualquer fato.  Engana-se quem pensa que não há pena de morte no direito brasileiro. Apenas não se divulga. E não estou falando da pena de morte imposta por decreto pelas autoridades policiais, mas sim do ordenamento jurídico mesmo. Ela está prevista na Constituição Federal e, por estranho que seja, naquele que pode ser considerado o artigo mais importante do ponto de vista da dignidade humana.  5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) XLVII - não haverá penas: a) ...

Nem todo cogumelo dá chá

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 Em 1973, Ney Matogrosso cantava lindamente o poema Rosa de Hiroshima , escrito por Vinícius de Moraes. Ainda hoje há quem não entenda o que quer dizer a letra. Ainda hoje há quem queira reviver aquele horror.  Num dia como hoje, há 80 anos, mais ou menos nesta mesma hora, um pouco antes, um pouco depois, um sujeito chamado Paul Warfield Tibbets Jr, abriu a portinhola de um B-29 chamado Enola Gay  e soltou um artefato que pesava mais ou menos 4 toneladas, que, no exato instante em que tocou o solo, gerou um gigantesco cogumelo de fumaça e determinou o fim da vida de mais de 70 mil pessoas. Aquele "Garotinho", Little Boy na língua oficial do imperialismo, ainda seguiu matando algumas centenas de milhares de pessoas por muito tempo, além de outras tantas que ficaram mutiladas física e emocionalmente. Três dias depois, o irmão maior do Little Boy, o Fat Man , explodiu em Nagasaki, deixando menos pessoas mortas diretamente, mas destruindo tantas vidas quanto o maninho. ...

É lindo!¹

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  Precisei apenas de dois ou três traillers, ou teasers, ou o nome que isso tenha, pra perceber que a série da plim-plim sobre Raul Seixas é uma das coisas mais geniais da história da tv, do cinema, dos streamings, ou o nome que isso tenha.  Raul gostava de dizer que era um grande ator, porque passava a vida enganando as pessoas se fazendo de cantor e todo mundo acreditava. Pois o diretor da série captou exatamente esse espírito anarcoraulseixista e escolheu atores que não guardam a menor semelhança com os personagens que retratam. Além disso, criou cenas absolutamente ridículas, como o encontro alucinógeno de Raul com Elvis no elevador e inventou diálogos desprovidos de qualquer possibilidade de realidade, como o papo entre Raul, Caetano e Paulo Coelho numa festa. Paulo que, a propósito, é retratado na série exatamente como ele gostaria de sê-lo, já que é um mago, porque o ator é tão mágico que se ninguém avisasse que está interpretando Paulete, nunca se saberia.  Eu ten...

Ponha-se no seu lugar!

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É um lugar comum entre as pessoas que fazem análises políticas dizer que a queda rumo ao fundo poço começou quando um obscuro deputado federal dedicou o voto pela cassação de uma presidenta, que não cometeu crime para tal pena, a um dos maiores criminosos da história mundial. Têm razão aqueles que dizem que Jair Bolsonaro deveria ter saído algemado daquela maldita sessão parlamentar, mas enganam-se ao achar que foi ali o começo da desgraça. O inferno brasileiro, na melhor acepção dantesca, começou muito antes. Talvez tenha sido quando o último ditador dos anos 1980 disse que preferia o cheiro dos cavalos ao cheiro do povo; ou ainda quando uma governante assina a lei talvez mais importante da história do país com apenas dois artigos, sendo que um deles é apenas formal, e nada mais; pode não ser absurdo pensar que a ruína do país chamado Brasil começou mesmo antes dele ser assim batizado, lá por abril de 1500. Os intérpretes do Brasil estão se debatendo sobre essas questões pelo menos de...