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E eu não sou uma mulher?¹

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 "Já não há mais culpado nem inocente, cada pessoa ou coisa é diferente. Já que é assim, baseado em que você pune quem não é você?" "(...) a diferença é a parte mais significativa daquilo que nos faz iguais." As duas frases aí de cima são de pessoas diferentes, ditas em tempos diferentes, em contextos diferentes, por meios diferentes, com intenções diferentes. Ou seja, a diferença é a marca. Mas elas são iguais.  A primeira frase é de Raul Seixas e ele a canta na música Novo Aeon , gravada no disco homônimo de 1975. A segunda é da linguista e professora Irandé Antunes, escrita no livro Muito além da gramática¹ (p. 109). A diferença entre as duas pessoas é bem significativa. Irandé é uma acadêmica, pesquisadora, doutorada em Lisboa, professora, com uma vasta obra escrita na área da Ciência Linguística. Raul Seixas, penso eu, dispensa qualquer apresentação.  Só que a semelhança entre as duas pessoas é ainda mais significativa. Irandé, que pra nossa sorte está viva e p...

Relações perigosas (para quem?): ou a arte política encontra a política na arte

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 Eu leio/vejo/ouço política todos os dias. Por diversas razões, entre elas, por prazer. Coisa que faço com muito menos frequência, mas que deveria, é botar um vinil no prato e escutar inteirinho. Quando pensei nisso dia desses, também pensei que essas coisas andam um tanto juntas. E das formas mais inusitadas. Se eu leio o termo-rei das manchetes dos últimos tempos, VORCARO, invariavelmente me vem na cabeça PORCARO. Quando eu leio e/ou ouço o outro arroz de festa da grande mídia, TRUMP, penso em algo súper. SUPERTRAMP. É talvez um mecanismo de defesa freudianamente ou junguianamente explicável, quem sabe, associar alguma coisa muito boa quando surge alguma coisa muito ruim. Supertramp dispensa apresentações, penso eu. Porcaro é o nome de uma família de grandes músicos: Jeff, que tocou com muita gente grande, dos 70's principalmente, de Peter Frampton a Etta James, e junto com os irmãos, Mike e Steve, fez a súper banda Toto , e o pai, e Joe, grande baterista e percussionista. ...

O gado está elétrico

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Numa cidade que já teve A Casa Eléctrica e o choque do Lasier , e que recentemente deu palco para o show da Ana Frango Elétrico, que é muito legal, por sinal, a eletricidade é sempre assunto. Mas nem a criatividade de milhões de volts de gente capaz de batizar uma banda de Atahualpa y us Panquis pensaria em eletrificar a massa protestante. Precisou um rapazinho sair lá das Gerais e ir pra Brasília pra botar em prática essa jenial ideia.  Pois o imbecilizado bolsomínion (perdão pela redundância), batizado Nikolas, mas que sonha ser Nikole, conseguiu juntar um número considerável de cabeças para pedir um braZil SEM bolsonaro. Mas não vamos subestimar essa tropa que tanto pode rezar pra pneu como pedir ajuda pra general extraterrestre via celular. Eles literalmente conseguiram fazer chover na capital federal. E o campo energético gerado por esse monte de sinapses (se cada cabeça de gado conseguiu fazer uma, deu alguns milhares de encontros de neurônios) provocou até descargas el...

Carecas que não são da Jamaica e minhocas

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                                                             Se me derem um pedaço de plutônio, minha turma se encarrega de explodir ¹                                                                                                       O essencialismo é algo bastante perigoso, assim como a generalização. "Brasileiro tem memória curta!", é uma sentença bastante corrente. Todos os brasileiros e todas as brasileiras têm memória curta? Isso é uma característica biológica, sociológica, antropológica, qual lógica? Não sou essencialista e tento evitar generalizações, mas se falar ...

Código de Guerra: ou apito pra cachorro

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  A Linguística, a Semiologia, a Análise do Discurso e tantas outras ciências que tratam da comunicação, entre outros assuntos, há décadas vêm comprovando com estudos e trabalhos de campo, a importância que tem a palavra e como o seu uso de um ou de outro jeito pode direcionar o entendimento sobre qualquer fato.  Engana-se quem pensa que não há pena de morte no direito brasileiro. Apenas não se divulga. E não estou falando da pena de morte imposta por decreto pelas autoridades policiais, mas sim do ordenamento jurídico mesmo. Ela está prevista na Constituição Federal e, por estranho que seja, naquele que pode ser considerado o artigo mais importante do ponto de vista da dignidade humana.  5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) XLVII - não haverá penas: a) ...

Nem todo cogumelo dá chá

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 Em 1973, Ney Matogrosso cantava lindamente o poema Rosa de Hiroshima , escrito por Vinícius de Moraes. Ainda hoje há quem não entenda o que quer dizer a letra. Ainda hoje há quem queira reviver aquele horror.  Num dia como hoje, há 80 anos, mais ou menos nesta mesma hora, um pouco antes, um pouco depois, um sujeito chamado Paul Warfield Tibbets Jr, abriu a portinhola de um B-29 chamado Enola Gay  e soltou um artefato que pesava mais ou menos 4 toneladas, que, no exato instante em que tocou o solo, gerou um gigantesco cogumelo de fumaça e determinou o fim da vida de mais de 70 mil pessoas. Aquele "Garotinho", Little Boy na língua oficial do imperialismo, ainda seguiu matando algumas centenas de milhares de pessoas por muito tempo, além de outras tantas que ficaram mutiladas física e emocionalmente. Três dias depois, o irmão maior do Little Boy, o Fat Man , explodiu em Nagasaki, deixando menos pessoas mortas diretamente, mas destruindo tantas vidas quanto o maninho. ...

É lindo!¹

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  Precisei apenas de dois ou três traillers, ou teasers, ou o nome que isso tenha, pra perceber que a série da plim-plim sobre Raul Seixas é uma das coisas mais geniais da história da tv, do cinema, dos streamings, ou o nome que isso tenha.  Raul gostava de dizer que era um grande ator, porque passava a vida enganando as pessoas se fazendo de cantor e todo mundo acreditava. Pois o diretor da série captou exatamente esse espírito anarcoraulseixista e escolheu atores que não guardam a menor semelhança com os personagens que retratam. Além disso, criou cenas absolutamente ridículas, como o encontro alucinógeno de Raul com Elvis no elevador e inventou diálogos desprovidos de qualquer possibilidade de realidade, como o papo entre Raul, Caetano e Paulo Coelho numa festa. Paulo que, a propósito, é retratado na série exatamente como ele gostaria de sê-lo, já que é um mago, porque o ator é tão mágico que se ninguém avisasse que está interpretando Paulete, nunca se saberia.  Eu ten...