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Inimigo (n)oculto

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 O bolsonarismo é uma seita. Não tem um líder, tem um mito. Que se chama, talvez não por acaso, messias. Como se trata de um sistema de crenças que se articula através da dissonância cognitiva coletiva e se executa por golpes, quem vai impedir a eleição de Flávio Bolsonaro são dois membros do culto. Aliás, uma membra e um membro.  Pensemos juntos: qual o benefício que terão Michelle Bolsonaro e Tarcísio de Freitas com a eleição do Zero Um?  Lula subiu a rampa com representantes de vários grupos sociais: indígenas, PCDs, mulheres, povo preto, até animais. Se fosse eleito, Flávio Bolsonaro subiria de mãos dadas com o papai. Não será eleito, mas articulações já são feitas para soltar o presidiário, porque embora não terão o presidente, os bolsonaros ganharam força no Congresso e sobretudo o Senado é decisivo para quem decide quem fica preso e quem fica solto no Brasil. Os acenos recentes dos heróis da toga, incluindo o PGR, ao bolsonarismo são evidentes. Mas e onde Michelle ...

Me ajuda a escolher, por favor

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  Costumo começar meus textos pelo título. Muitas vezes, inclusive, o que surge primeiro é o título e a partir dele vem a ideia do texto. Dificilmente eu mudo o título original, mesmo que às vezes a versão final do texto seja muito diferente da primeira. O título expressa a essência do que está escrito. Gosto de nomear as coisas e acho que os títulos já dão a linha do texto e até ajudam a quem não se interessa a não perder tempo. Desta vez, porém, foi diferente. Ao reescrever pela segunda vez, percebi que a cada revisão surgia uma ideia de título diferente. Resultado, deixei um pedido. Se tiver sugestão, à vontade. Foram estes os que pensei: O estranho caso do candidato que se elege pelas promessas que não vai cumprir A tragédia pode se repetir como farsa? Um novo acordão com Supremo com tudo Santíssima Trindade Cristã às avessas. Ou: nessa hora toda fé ajuda Parte 1: O Pai Em 2018, quando se lançou a uma candidatura improvável, Jair Messias Bolsonaro já era conhecido por ser admir...

Dá um google e derrota o fascismo¹

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  Dirijo este texto especialmente aos meus amigos e às minhas amigas, amigos/as de verdade, que têm divergências um pouco maiores de pensamento político comigo, as quais respeito e com quem evito tanto quanto possível tratar de assuntos políticos convencionais. Mas por serem pessoas com quem tenho grande amizade, neste momento crucial da vida não me furto a falar.  As eleições do próximo domingo serão as mais importantes da história das nossa vidas. E o que está em jogo não são programas políticos e posicionamentos diversos, mas a permanência da humanidade no Brasil. Não exagero, vocês verão, e para que mostrar que não exagero, não vou falar sobre o passado mais do que o necessário para contextualizar as coisas. Você não gosta de Lula. Você não gosta do PT. Você acha, e em alguns casos tem até certeza, que Lula é ladrão. Até aí tudo bem, tenho alguma discordância, mas não é o caso de debater isso agora. Você acha que toda a pessoa que se posiciona à esquerda no espectro políti...

Os pré-molares do gênio

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  Futebol é bola na rede.  A copa do mundo acabou e tem muito assunto pra falar por bastante tempo. Com alguma boa vontade, dá até pra falar em futebol. Esta copa é a mais politizada da história. Mais até do que as que não aconteceram nos anos 1940. Vocês viram as sobrancelhas do Messi?  Messi é um gênio da bola. E Messi é autista. Não sei se isso é diagnóstico, mas já disseram muitas vezes. O autismo de Messi, só pode ser isso, explica algumas imprevisibilidades geniais. Diante de uma equipe extremamente organizada e consciente do que deveria fazer - futebol não é só beleza, isso dizem os que não são gênios - o gênio ter se escondido na ponta direita, se negado a dar uma corridinha mínima pra marcar algum adversário na faixa de metro e meio que ocupava - tipo Romário - e sequer ter se dignado a caminhar uns metrinhos pra cobrar as faltas como vinha fazendo - bobagem, há até quem decline de quebrar a banca e transfira o pênalti -, ou limitando-se a um passezinho pro lado,...

Futebol é pra homem, pô!! Ou: um você que escancara tudo

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  Tenho visto pouca coisa dessa copa do mundo. O que tenho visto fora do campo dispensa meus comentários, porque tá todo mundo comentando e com muito mais propriedade. Práticas nazifascistas correndo à solta, que deveriam surpreender zero pessoas. Donald Trump, o que dizer que não esteja sendo dito e muito bem dito? Pra confirmar o gesto supremacista do árbitro do VAR é só olhar. Mas é legal a gente se deter um pouquinho nisto aqui que o Nando Gross traz pra nós:  https://www.youtube.com/watch?v=aV8NyceFL2I .  Eu soube dessa conversa do Romário pela minha filha e confesso que quando ela me contou não dei muita importância e cheguei mesmo a concordar em parte com ele, porque achar que o escrete canarinho, este escrete canarinho, deveria atropelar um adversário que foi semifinalista da última copa, com jogadores que figuram entre os melhores do mundo, é uma arrogância à la Mário Jorge Lobo Zagallo. Mas depois que vi a cena, veiculada e comentada pelo Nando Gross, e ouvi o ...

Não faça nada que eu não faria (mas também não faça o que eu faço)

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E de novo respiramos ares de copa (coff... coff... coff...).    Há alguns anos escrevi esta crônica aqui:  https://oximarraomaisalucinogeno.blogspot.com/2022/06/bet-que-bicho-e-esse.html . De lá pra cá bastante coisa mudou. Pra pior.  Para além de todos os problemas que envolvem esses esquemas de apostas, quero tratar aqui especificamente da hipocrisia e da falta de coragem pra ir contra o sistema, que também se pode dizer falta de coragem de ir contra os próprios interesses.  Hoje, apenas hoje, fiquei sabendo deste evento:  https://www.arenabrasileira.com.br/ . É interessante observar no line-up do festival nomes como Caetano Veloso, Marisa Monte, Paralamas do Sucesso e outros. São artistas que têm no currículo posicionamentos e ações fortes contra os autoritarismos, contra os fascismos, contra os bolsonarismos, enfim, pessoas com atuação social importante. Mas o que tem a ver uma coisa com outra?  Antes de mais nada, é preciso reforçar que é importan...

Sempre tem um bode. Ou dois...

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  Em 29 de setembro de 2022, a candidata Comandante Nádia anuncia sua renúncia à disputa por uma vaga no Senado. No mesmo ato ela apresenta o seu apoio ao outro candidato da extrema direita, Hamilton Mourão. Ambos militares, ambos da linha dura. E foi exatamente para mascarar a linha do general que a ex-comandante trabalhou toda a sua campanha. Dizia ela ser a verdadeira direita, consolidando o discurso para uma parcela já lobotomizada do eleitorado bolsonarista. Mourão estaria, segundo a candidata, fazendo concessões a pautas vinculadas a um estrato social não radicalizado pelo extremismo neofascista, ao não se posicionar, por exemplo, contra a legalização do aborto. A estratégia era evidente: dar uma maquiada na cara feia do general para tentar torná-lo aceitável a pessoas que não votavam na esquerda mas que também não compactuavam com discursos fascistas. O mito do bolsonarista que come de garfo e faca. Faltando três dias para a eleição, a verdade da candidatura veio à tona e el...