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Mostrando postagens de março, 2026

A Páscoa antecipada

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 Harold Bloom, célebre professor e crítico literário estadunidense, contestava a ideia de uma cultura ocidental judaico-cristã. Dizia ele que existe uma cultura judaico e uma cultura cristã, muito diferentes entre si. Concordando ou não com a tese, nesses tempos de celebração para o cristianismo, é interessante pontuar a diferença entre as páscoas. Pessach, a Páscoa judaica, é um evento histórico e marca a libertação do povo hebreu da escravização promovida pelos egípcios. Já para os cristãos, Páscoa tem um caráter eminentemente simbólico e espiritual, representando a vitória do filho de Deus sobre a morte, a ressurreição. E é isso exatamente o que importa agora.  A família bolsonaro não é judaica, sabe-se. Também não é uma família cristã, embora essa imagem seja forçada o tempo todo pela conveniência que tem em relação aos negócios. Atualmente, a situação é a seguinte: o patriarca cumpre férias levemente compulsórias; o primogênito, conhecido pela alcunha de Rachadinha, faz c...

E eu não sou uma mulher?¹

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 "Já não há mais culpado nem inocente, cada pessoa ou coisa é diferente. Já que é assim, baseado em que você pune quem não é você?" "(...) a diferença é a parte mais significativa daquilo que nos faz iguais." As duas frases aí de cima são de pessoas diferentes, ditas em tempos diferentes, em contextos diferentes, por meios diferentes, com intenções diferentes. Ou seja, a diferença é a marca. Mas elas são iguais.  A primeira frase é de Raul Seixas e ele a canta na música Novo Aeon , gravada no disco homônimo de 1975. A segunda é da linguista e professora Irandé Antunes, escrita no livro Muito além da gramática¹ (p. 109). A diferença entre as duas pessoas é bem significativa. Irandé é uma acadêmica, pesquisadora, doutorada em Lisboa, professora, com uma vasta obra escrita na área da Ciência Linguística. Raul Seixas, penso eu, dispensa qualquer apresentação.  Só que a semelhança entre as duas pessoas é ainda mais significativa. Irandé, que pra nossa sorte está viva e p...

Relações perigosas (para quem?): ou a arte política encontra a política na arte

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 Eu leio/vejo/ouço política todos os dias. Por diversas razões, entre elas, por prazer. Coisa que faço com muito menos frequência, mas que deveria, é botar um vinil no prato e escutar inteirinho. Quando pensei nisso dia desses, também pensei que essas coisas andam um tanto juntas. E das formas mais inusitadas. Se eu leio o termo-rei das manchetes dos últimos tempos, VORCARO, invariavelmente me vem na cabeça PORCARO. Quando eu leio e/ou ouço o outro arroz de festa da grande mídia, TRUMP, penso em algo súper. SUPERTRAMP. É talvez um mecanismo de defesa freudianamente ou junguianamente explicável, quem sabe, associar alguma coisa muito boa quando surge alguma coisa muito ruim. Supertramp dispensa apresentações, penso eu. Porcaro é o nome de uma família de grandes músicos: Jeff, que tocou com muita gente grande, dos 70's principalmente, de Peter Frampton a Etta James, e junto com os irmãos, Mike e Steve, fez a súper banda Toto , e o pai, e Joe, grande baterista e percussionista. ...