Helenismo tropical: o DNA bandido do bolsonarismo. Ou: juventude brasileira, às ruas!



Helenismo, como se sabe, é o período  histórico em que a cultura grega se consolidou no mundo ocidental. O termo evoca uma ideia de grandeza, de pujança, de cultura florescente. No Brasil, deu origem a um nome próprio feminino muito bonito e, na versão masculina, um pouco mais rara, traz a referência a um gênio do futebol, Heleno de Freitas, que jogou no Botafogo na primeira metade do século 20. O nosso país, porém, tem uma certa tendência a distorcer alguns conceitos e, poucos anos depois do fim da Segunda Guerra, foi o nome escolhido para batizar um sujeito que nasceu com o símbolo da maldade tatuado na testa. 

Augusto Heleno, o minúsculo homem, tem o golpismo como elemento agregador das células nervosas. As sinapses desse sujeito são realizadas invariavelmente a partir do pensamento golpista. Quando os militares já não viam maneira de sustentar o regime, Heleno, que era capacho, ops, ajudante de ordens do ministro do exército, Sylvio Frota, ajudou o chefe a tentar um golpe dentro do golpe, sabotando o processo de abertura política. 

O histriônico general apareceria no noticiário novamente algumas décadas depois, sendo chefe de segurança do (des)governo de Jair Bolsonaro e acabaria sendo preso pela frustrada tentativa de golpe após a derrota do patriarca da família franquia do crime nas urnas em 2022. Nem mesmo a alegada demência, que lhe permitiu o direito de ficar em prisão domiciliar, impediu que o golpista empedernido tramasse a formação do ministério de Flávio Bolsonaro, contando já com a anistia ampla, geral e irrestrita de todos os criminosos de 8 de janeiro. 

Entre tentativas frustradas de golpe, nos próprios colegas de caserna nos anos 1970 e contra a vontade do povo em 2023, há um episódio que escancara a desumanidade deste sabujo fardado. Em 2004, as Nações Unidas resolveram criar uma força de paz para intervir no Haiti. A Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti ou MINUSTAH, teve como comandante ninguém menos do que o ilustre general golpista. Não deve causar surpresa o fato de que em 2004 já estávamos no primeiro governo Lula. Sim, os governos petistas têm suas contradições e elas não devem ser esquecidas. 

A missão brasileira no Haiti é celebrada em documentos oficiais do exército brasileiro. O general demente não foi o único brasileiro a chefiar a missão criminosa. Outro ilustre personagem da política atual esteve lá entre 2005 e 2006: Tarcísio de Freitas, potencial candidato da extrema direita à sucessão presidencial em 2030. Outros nomes: Carlos Alberto dos Santos Cruz, Floriano Peixoto Vieira Neto, Edson Leal Pujol, Luís Eduardo Ramos, Fernando Azevedo e Silva e Otávio Rêgo Barros. Um fato irmana esses "pacificadores": todos integraram o ministério de Jair Bolsonaro. Uma matéria publicada ontem no portal ICL revela que telegramas obtidos pela organização Fiquem Sabendo mostram que pequeno general Heleno defendia a matança como meios de manter o moral elevado das tropas. A violência como método. 

Por que isso é importante agora? 

É fundamental que a gente não cometa o erro de 2022, quando acreditamos que a eleição de Lula, que naquele ano já foi histórica, resolveria o problema brasileiro e mandaria o bolsonarismo para a lata de lixo da história. O bolsonarismo se rearticulou nesses quatro anos e esteve muito perto de voltar ao governo central com força triplicada. A eleição acabou, mas os soldados e as soldadas do Exército do Lula não podem entrar em férias. 

A onda libertária que começou  na Universidade Federal Fluminense em 5 de outubro e que tomou o mundo após a vitória de Lula, fazendo com o que o "L" se transformasse no símbolo moderno da luta contra a ultra direita não pode arrefecer. Temos que manter as ruas e as redes em atividade permanente para que possamos oferecer ao governo Lula a garantia de implementação das suas plataformas políticas nos próximos quatro anos e, mais do que isso, impedir a volta do fascismo bolsonarista (ainda que sem nenhum bolsonaro), JÁ NAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS DE 2028!

Usando uma expressão típica do Rio Grande do Sul, não podemos afrouxar o garrão. A luta segue e não podemos dormir no ponto, porque, ao contrário, a ferrugem nunca dorme. 


VAMOS MANTER VIVAS 

AS RUAS E AS REDES!


Trilha sugerida para a leitura:

https://www.youtube.com/watch?v=331kyZ9OXMc&list=PLSzQ5tXtxOEYqkSwew-J2hbwIwuhh1dY9&index=9

https://www.youtube.com/watch?v=miRZsJID8LY


*Imagem de destaque: montagem feita pelo autor a partir de imagens originais coletadas em:

https://vermelho.org.br/2026/10/06/estudantes-da-uff-tomam-niteroi-por-lula-e-dizem-nao-vamos-recuar/

https://galeravermelha.com.br/cpmi-do-golpe-general-heleno-e-desmentido-sobre-participacao-de-cid-em-reunioes-de-bolsonaro-com-comandantes-do-exercito/

https://www.instagram.com/p/DfQLB0-oFsZ/

Acessos em 4/11/2026.

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