Me ajuda a escolher, por favor
Costumo começar meus textos pelo título. Muitas vezes, inclusive, o que surge primeiro é o título e a partir dele vem a ideia do texto. Dificilmente eu mudo o título original, mesmo que às vezes a versão final do texto seja muito diferente da primeira. O título expressa a essência do que está escrito. Gosto de nomear as coisas e acho que os títulos já dão a linha do texto e até ajudam a quem não se interessa a não perder tempo. Desta vez, porém, foi diferente. Ao reescrever pela segunda vez, percebi que a cada revisão surgia uma ideia de título diferente. Resultado, deixei um pedido. Se tiver sugestão, à vontade. Foram estes os que pensei:
O estranho caso do candidato que se elege pelas promessas que não vai cumprir
A tragédia pode se repetir como farsa?
Um novo acordão com Supremo com tudo
Santíssima Trindade Cristã às avessas. Ou: nessa hora toda fé ajuda
Parte 1: O Pai
Em 2018, quando se lançou a uma candidatura improvável, Jair Messias Bolsonaro já era conhecido por ser admirador de torturadores e defensor da volta da linha dura. Já tinha dito que achava que a ditadura civil-militar tinha matado pouca gente, que um novo regime deveria matar pelo menos uns trinta mil, a começar pelo então presidente Fernando Henrique, e ainda acrescentou, nessa declaração, que se morressem alguns inocentes, tudo bem. Já se sabia, pelo próprio, que Jair Bolsonaro odiava mulheres (como continua odiando) e que não teria estuprado Maria do Rosário, colega de parlamento, por achar que não valia a pena. Ele já havia declarado seu ódio também aos homossexuais, dizendo que preferia um filho morto do que um filho gay. Há até quem diga que o comportamento reprimido de seus filhos, sobretudo o Zero Dois e o Zero Quatro, decorre do medo da rejeição paterna. Talvez o velho Freud pudesse vislumbrar algo de projeção ou algo assim nesse ódio de Jair aos gays. Não sei. Mas isso já são conjecturas e não estamos aqui pra conjecturar. O que importa é termos claro que na campanha presidencial daquele ano, o bolsonaro pai já era orgulhosamente a pessoa abjeta conhecida por todos. Isso não impediu que mais da metade do eleitorado sufragasse o seu nome. Já desde o primeiro turno, quando começamos a ver que a coisa era séria, confrontávamos um potencial eleitor de Bolsonaro às suas próprias declarações e promessas e a resposta invariavelmente começava pela negação ("ele não disse isso"), passava pela interpretação ("não foi isso o que ele quis dizer"), para finalmente chegar ao "argumento" final: "ele não vai fazer isso, é só conversa". Deu no que deu. Uma constatação absolutamente triste é que se não fosse a pandemia, de cujas mais de 700 mil mortes (números oficiais subestimados) pelo menos a metade pode ser atribuída à política assassina do presidente da república, muito mais gente teria morrido de fome ou por outras causas.
Parte 2: O Filho
Flávio Nantes Bolsonaro, por conta de algum nível maior de inteligência, não muito, apenas o que serve pra se apresentar como o "bolsonaro moderado", é muito mais perigoso do que o pai e um ser humano, se é que se pode usar essa definição para algum homem dessa família, ainda mais horrível. Todas as características negativas de Jair ressurgem com ainda mais força em Flávio, mas em um quesito ele supera o pai: nem o velho Bolsonaro é capaz de mentir tanto e com tanto descaramento. Não é preciso dizer de novo tudo o que este sujeito é: racista, homofóbico, incentivador de violência, corrupto etc. etc. etc. Todas essas coisas ele mesmo já se encarregou de comprovar, é só dar um google. Aqui o ponto é o que ele traz de plataforma política. Anistiar o pai e todos os golpistas condenados; botar nas ruas todos os corruptos, bandidos, criminosos que podem servir para alguma coisa de seus interesses; dominar e neutralizar as instituições; abrir as portas do Brasil para o que Raulzito disse lá em 1980: "Os estrangeiro eu sei que eles vão gostar, tem o Atlântico tem vista pro mar, a Amazônia é o jardim do quintal, e o dólar deles paga o nosso mingau". No caso, ao não fazer a concordância correta, Raul acertou como sempre, porque os estrangeiros são, na verdade, um estrangeiro, Donald John Trump. Tudo isso está sendo avisado, mas experimente dizer para algum bolsonarista convicto que o miliciano vai cumprir o prometido. Aliás, se for se aventurar nisso, tente dizer também que não se reza pra pneu, que não se toma detergente...
Parte 2 e 1/2: O Acordão
É muito importante alertar o maior número de pessoas dos riscos que estamos correndo com a eventual eleição de Flávio Bolsonaro. Será a consumação de um golpe que esteve em aberto desde a divulgação do resultado da eleição de 2022. Engana-se quem pensa que o golpe não aconteceu em 8 de janeiro porque Alexandre de Moraes segurou a onda. Se é verdade que ele teve papel importante, cumprindo suas obrigações, diga-se, a principal causa do fracasso dos golpistas foi a falta de apoio dos EUA. Joe Biden na política imperialista difere muito pouco de Donald Trump, mas naquela ocasião negou apoio e, com isso, os militares arregaram e Xandão conseguiu se transformar em ídolo da esquerda, de uma certa esquerda, pelo menos, a mesma que achou que a eleição de Lula tinha resolvido todos os problemas. Aqui neste blog há textos que trazem críticas a esse messianismo.
Notícias de ontem e hoje:
Moraes concede regime semiaberto a Débora do Batom, condenada pelo 8/1
Gilmar Mendes arquiva investigação contra Alfredo Gaspar
Gonet dá parecer favorável à retomada de visitas de Flávio ao pai
Será que está havendo um aceno de boa vizinhança do STF e do PGR para os bolsonaros? Quem será o Romero Jucá a declarar o acordão com Supremo com tudo? Dizem que ao padre ninguém ensina a rezar missa, mas que os nossos heróis da toga saibam que a família não é boa de cumprir acordos. Apesar disso, não tem com que as excelências se preocuparem, porque a Flávio, o Bolsonaro, interessa muito mais manter o terror permanente do que resolver tudo de uma vez. A exceção é Flávio, o Dino, que seria usado como figura exemplar e sofreria o impeachment para que os outros saibam que a tchurma não tá pra brincadeira. Desse jeito é fácil manietar o tribunal deixando uma guilhotina permanentemente sob as cabeças, sejam elas carecas, cabeludas, peruquentas ou o que for. Essa gente não tem amigos.
TUDO ISSO PODE SER EVITADO. BASTA QUE A GENTE NÃO DESISTA E SE ENGAJE NA LUTA PELA REELEIÇÃO DE LULA.
ÀS REDES!!!!
ÀS RUAS!!!!
Parte 3: O Espírito Santo
VALEI-NOS!
*Imagem de destaque: https://www.facebook.com/Lula/videos/921219074175662/. Acesso em 7/10/2026.
.jpg)
Comentários
Postar um comentário
Críticas, contrapontos, opiniões divergentes, debates etc. serão sempre bem-vindas. A pré-análise será feita apenas em face de questões éticas e legais.