Inimigo (n)oculto


 O bolsonarismo é uma seita. Não tem um líder, tem um mito. Que se chama, talvez não por acaso, messias. Como se trata de um sistema de crenças que se articula através da dissonância cognitiva coletiva e se executa por golpes, quem vai impedir a eleição de Flávio Bolsonaro são dois membros do culto. Aliás, uma membra e um membro. 

Pensemos juntos: qual o benefício que terão Michelle Bolsonaro e Tarcísio de Freitas com a eleição do Zero Um? 

Lula subiu a rampa com representantes de vários grupos sociais: indígenas, PCDs, mulheres, povo preto, até animais. Se fosse eleito, Flávio Bolsonaro subiria de mãos dadas com o papai. Não será eleito, mas articulações já são feitas para soltar o presidiário, porque embora não terão o presidente, os bolsonaros ganharam força no Congresso e sobretudo o Senado é decisivo para quem decide quem fica preso e quem fica solto no Brasil. Os acenos recentes dos heróis da toga, incluindo o PGR, ao bolsonarismo são evidentes. Mas e onde Michelle e Tarcísio entram nisso?

Tudo indica que Jair Bolsonaro estará nas ruas em breve. Se fosse eleito, Flávio não concorreria à reeleição. É o que ele anda dizendo. Claro, eu sei, o que este sujeito fala não se escreve, mas como se trata de um projeto de família, seria possível que o miliciano cumprisse a promessa, caso fosse eleito. Nesse contexto, o sucessor do filho, numa inversão da lógica, seria o pai.

Tarcísio gostaria de ter sido candidato já neste pleito. Michelle também. Por conveniência, comodismo e talvez até um pouco de covardia, ele preferiu a segurança de uma reeleição ao governo de São Paulo que se dava como certa. Ela, por pura estratégia (talvez por não ser sanguineamente da família, Michelle é inteligente), ganhou a cadeira no Senado, que será sua por oito anos, ou seja, ainda na próxima eleição estará garantida, o que lhe dá muito tempo para executar com precisão o plano. Mas se Flávio fosse eleito e Jair o sucedesse no Planalto, a chance de perpetuação da família biológica no poder seria muito grande. Haveria pelo menos mais dois criminosos para alternar. (Não conto o Zero Quatro porque esse parece ser mais um que corre por fora do núcleo duro da famiglia.) A troca de moscas voando sobre a mesma merda seria a lógica do sistema. Por isso não interessa a Michelle a eleição de Flávio. 

A situação de Tarcísio é ainda mais crítica, já que não terá esse tempo. Em 2030 só vai ter no horizonte a presidência, porque não penso que aceitará ir ao Senado, à Câmara menos ainda. Então, sabendo que se Flávio fosse eleito o próximo candidato do neofascismo seria Jair, por que ele se empenharia na eleição do filhote? 


O candidato de Michelle e Tarcísio é Lula!

Só que eles não vão dizer, é claro…


*Imagem de destaque: https://revistacenarium.com.br/evangelicos-bolsonaristas-pretendem-apoiar-tarcisio-michelle-para-2026/. Acesso em 8/10/2026.

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