Ana Clara morreu!



 Não precisa ir no google, é lógico que que você sabe quem é Ana Clara. Quem não sabe é Flávio Bolsonaro. O que o Brasil e o mundo puderam ver ontem não foi um debate político, não podemos dissecar os fatos dessa forma, chegando ao ponto de naturalizar a desumanização absoluta de uma disputa por um lado. Flávio Bolsonaro não sabe que Ana Clara é uma menina de 5 anos que foi assassinada por um policial criminoso, que ele insiste em defender? É claro que ele sabe. Mas por um momento esqueceu. E por que esqueceu? Porque para ele, como para a sua família de psicopatas, crianças como Ana Clara, mães, como Cristiane, que perdeu o direito de ver a filha crescer, não são nada além de moradoras das periferias, onde o que interessa para ele é garantir a manutenção do domínio das redes milicianas que, segundo o próprio, cumprem um papel importante na defesa da comunidade. Mas que papel é esse? Matar com tiros de fuzil uma criança de 5 anos de idade?

Quando Lula trouxe a terrível história do assassinato de Ana Clara ao debate assistido por milhões de pessoas mundo afora, Cristiane (este é o nome da mãe) sofreu de novo a morte da filha. E além desse sofrimento, que imagino não possa existir pior, sofreu mais uma vez o drama da invisibilidade. Ela é invisível para Flávio Bolsonaro, que não sabe sequer o seu nome. Todas as pessoas que moram nas zonas periféricas, becos, quebradas, favelas, como ele mesmo disse com desdém, são invisíveis para Flávio Bolsonaro. Os milicianos que mantêm essas pessoas sob um regime de terror, esses são conhecidos pelo nome por Flávio. Ontem, ao confundir o nome da mãe, ele recebeu como resposta um grito de desespero: "ELA MORREU!" Qualquer pessoa digna de ser chamada de pessoa, teria se emocionado ao nível das lágrimas com aquela reação. Flávio Bolsonaro não demonstrou uma reação de tristeza, pequena que fosse. Gaguejou, é verdade, mas não foi de emoção, foi porque sabe que o seu banditismo vai custar a eleição e a retomada do projeto neofascista que ele representa. Naquele momento, com dificuldade de articular as palavras, Flávio mentiu de novo, quando disse à Cristiane que a sua ação na defesa do assassino de Ana Clara tem sido no sentido de descobrir o verdadeiro assassino. Mais do que isso, disse que o assassinato foi cometido em função de uma troca de tiros na região. Aqui, aos 32 segundos, o delegado diz que não há dúvida de quem assassinou Ana Clara: https://www.youtube.com/watch?v=VCQ8XCbk2Cg

Se Flávio Bolsonaro está convicto que o assassino de Ana Clara não é o policial que ele defende, por que usa o seu poder e a capacidade de influência como senador para impedir que ele seja julgado? 

A excelente série "Revelando", cujo primeiro episódio foi derrubado pelo Youtube, sob os olhos (nada) atentos da corte eleitoral do ministro pouco cristão e do ministro terrivelmente evangélico, no episódio destacado, conta a verdadeira história do assassinato de Ana Clara, mas não se limita a isso, escancara as relações de Flávio Bolsonaro com as milícias, que levaram, também, ao assassinato de Marielle Franco. No vídeo, aos 18'50, Cristiane, a mãe de Ana Clara, diz que a perícia identificou as balas que assassinaram sua filha. Elas saíram da arma do assassino defendido por Flávio Bolsonaro. Será por isso que Flávio defende um projeto de lei que elimina  as marcas que possibilitam a identificação das armas de onde saem as balas? 

A pergunta que fica depois de tudo isso, depois de Flávio Bolsonaro ter mentido descaradamente no debate diante dos olhos de milhões de pessoas, depois de Flávio Bolsonaro ter dito que eliminar as marcas das balas que identificam assassinos é um mero detalhezinho, depois de Flávio Bolsonaro ter confundido os nomes da mãe dilacerada com o da filha assassinada é:


VOCÊ VAI VOTAR EM QUEM DEFENDE ASSASSINOS????


*Imagem de destaque: https://www.instagram.com/reels/DeW_X5-hQ_y/. Acesso em 24/10/2026.

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