Relações perigosas (ou não): ou a arte política encontra a política na arte
Eu leio/vejo/ouço política todos os dias. Por diversas razões, entre elas, por prazer. Coisa que faço com muito menos frequência, mas que deveria, é botar um vinil no prato e escutar inteirinho. Quando pensei nisso dia desses, também pensei que essas coisas andam meio juntas. E das formas mais inusitadas. Se eu leio o termo-rei das manchetes dos últimos tempos, VORCARO, invariavelmente me vem na cabeça PORCARO. Quando eu leio e/ou ouço o outro arroz de festa da grande mídia, TRUMP, penso em algo súper. SUPERTRAMP. É talvez um mecanismo de defesa freudianamente ou junguianamente explicável, quem sabe, associar alguma coisa muito boa quando surge alguma coisa muito ruim. Supertramp dispensa apresentações, penso eu. Porcaro é o nome de uma família de grandes músicos: Jeff, que tocou com muita gente grande, dos 70's principalmente, de Peter Frampton a Etta James, e junto com os irmãos, Mike e Steve, fez a súper banda Toto, e o pai, e Joe, grande baterista e percussionista.
O quanto estas coisas se relacionam, política e arte? O quanto é obrigação do/da artista se posicionar politicamente? Não sei se existe essa obrigação, acho que não, porque a arte por si só já é um ato político. E aí entenda-se política no sentido mais amplo, porque se temos Mano Brown também temos Zezé Di Camargo. E temos ainda os "alienados", que fazem da alienação uma política. Pesquisando no Youtube vamos achar até um tal de Luiz, o Visitante, rapper que escreveu as pérolas "Meu Filho Vai Ser Bolsonarista" e "O Velho Olavo Tem Razão", entre outros lixos. Mas no mesmo Youtube, a um clique de distância, está lá a maravilhosa Latinoamérica. E isso que eu não tenho o hábito de usar streamings de música para além do próprio Youtube. Como diz o grande Richard Serraria, de quem tenho a alegria de privar da amizade, "nas plataformas o artista entra com a forma e a empresa fica com a plata" (mais ou menos assim). É o velho capitalismo vestindo novas roupas.
O quanto ler Frantz Fanon pode ser poético? O quanto ouvir Dead Kennedys pode ser político? Digo de novo que não sei se artista tem que ter posição política, mas quando eu vejo e escuto Tom Morello e Bruce Springsteen tocando juntos, me dá uma vontade incontrolável de dizer que sim...
*Imagem de destaque: acervo do autor.

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